Time

Tenho visto imensos códigos de números. Ao olhar as horas no relógio, reparei que frequentemente pego no telemóvel às 11:11, 21:12, 16:16 e por aí fora. Nunca dei muita importância à numeralogia, – talvez por ter sido fustigado por equações matemáticas ao longo dos anos em que estudei Engenharia Civil, que me criaram um certo estigma, uma aversão às quantidades numéricas; adiante – a não ser há uns tempos, quando comecei a escrever uma novela (um micro-romance?), que me obrigou a estudar um pouco o assunto, por precisar de imprimir a mensagem no texto, de forma quase subliminar. Mas o facto é que o fenómeno dos números se repete dia após dia, desde o início deste ano, sobretudo, – mais ainda, depois de ter lançado o DEVE SER PRIMAVERA ALGURES – e me obrigou a parar e tentar perceber se isto é só um produto natural da coincidência, ou se realmente é uma forma do universo querer comunicar comigo, me dizer: calma, vai tudo correr bem. O meu hemisfério cínico, pragmático, matemático diz-me que é a primeira opção; o meu hemisfério sonhador, artístico, criador diz-me para acreditar na segunda. De maneira que aqui ando, numa luta interna, tentando perceber se o destino (a tal força dinâmica) me reserva um desfecho auspicioso, em que todas as peças se alinham e eu consigo, de facto, ser um autor de sucesso; ou se, por outra, isto é tudo um engano, uma mentira bonita que nunca passará disso mesmo: uma imagem inventada daquilo que gostaria de ser: uma aproximação (nunca exacta). Talvez o melhor seja viver no meio-termo: esperar o melhor e preparar-me para o pior. 

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